sábado, 10 de julho de 2010
maisomenos
- Eu tenho procurado pelos teus piores defeitos, pelas coisas que tu faz que mais me irritam, considerado exageradamente tuas imperfeições e prestando mais atenção nos teus deslizes. Tudo a fim de me convencer que não vale a pena, de forma alguma, dizer que tu vale a pena.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
final_mente

—Já nos contentamos com o fim.
Foi doloroso, difícil de aceitar - mas nos acostumamos a ele.
Mas, ironicamente, ainda prezamos o bem do outro.
Você nunca me deixou por completo.
Ainda nos falamos, conversamos sobre nós.
E dói, é complicado e masoquista, mas sabemos que não vivemos sem isso. Não gostamos da dor, mas a suportamos, pois é a única forma de termos um pouco do outrom de sermos nós. Sermos nós, não apenas ser eu e você.
—Quando estamos distantes, você me manda seus sinais. Sinais que apenas eu posso perceber e decifrar, diante de tantos outros. Você cria sorrisos quando me vem a mente os seus, e manda suas borboletas para me vigiar. Tudo pra garantir que eu nunca esqueça, que nunca deixe de lembrar.
Por tantos sinais, você se torna presente. Quase posso ouvir sua preocupação e sua angústia de não poder me proteger a cada segundo.
—Eu faço a minha parte. Aceito tudo que você me dá, aceito a sua onipresença, respeito sua insegurança, revivo sua lembrança, abro os braços sem muita esperança de que os seus se juntem aos meus. Mas eu espero. Sempre esperei. Sempre espero que você nunca se esqueça de mim, e que decifra cada sinal que eu mando também.
tired
— Eu cansei.
Mas se cansar se tornou tão clichê. É tão comum pessoas dizerem que se cansaram, mas brevemente estão dispostas a enfrentar tudo de novo — e dizerem que se cansaram de novo, de novo.
— Mas eu definitivamente não só me cansei, como hei de parar de seguir por esses caminhos que venho seguido. Sabe, não dá mais, eu já sabia o que tinha no final da rota desde que decidi andar por ela. Era mais um teste, pra ver se dessa vez ia ser diferente.
A questão é que eu cansei, mesmo. Não vou mais gastar meu dinheiro, meu tempo, desfazer meu orgulho e me preocupar em ir te ver, seja lá aonde for, pra que sempre fique nisso, nesses trânsito parado, em nós olhando um para o outro, e dizendo tchau.
Eu nunca me convenço que não importa quantas vezes eu assisto a um filme ... O final vai ser sempre o mesmo.
Mas se cansar se tornou tão clichê. É tão comum pessoas dizerem que se cansaram, mas brevemente estão dispostas a enfrentar tudo de novo — e dizerem que se cansaram de novo, de novo.
— Mas eu definitivamente não só me cansei, como hei de parar de seguir por esses caminhos que venho seguido. Sabe, não dá mais, eu já sabia o que tinha no final da rota desde que decidi andar por ela. Era mais um teste, pra ver se dessa vez ia ser diferente.
A questão é que eu cansei, mesmo. Não vou mais gastar meu dinheiro, meu tempo, desfazer meu orgulho e me preocupar em ir te ver, seja lá aonde for, pra que sempre fique nisso, nesses trânsito parado, em nós olhando um para o outro, e dizendo tchau.
Eu nunca me convenço que não importa quantas vezes eu assisto a um filme ... O final vai ser sempre o mesmo.
desencontros
Não porque não queria, era porque você tava lá, e era aonde eu queria estar.
Era muita gente, mas poucos objetivos. Creio que os nossos eram iguais, que estávamos lá pela mesma razão.
E foi assim que eu te conheci. Você já ria de mim sem me conhecer, me achava merecedor dos teus ouvidos sem saber de onde eu vinha. Por vezes nos trombamos, pedimos desculpas. Seu sorriso tímido, e tão sincero, que te fechava os olhos.
Mas foi só isso - fomos embora.
—O tempo passou, porque ele tem que passar. E você ainda estava lá. Não no mesmo lugar, mas ainda estava lá, presente, e eu fui embora e esqueci de te levar junto. Eu nem me importava.
Mas você sim.
—Aqui estamos. Não é do jeito que a gente quer, as paredes não foram pintadas com as cores que eu gosto. Mas você é tudo que eu gosto. O lugar que você está é aonde eu me sinto bem - uma vez te disse.
Eu não mentia. Mas eu nunca estava lá.
—Deixamos ruir. Quisemos tudo do nosso jeito, ou não quisemos nada. Abrimos as portas, deixamos que entrassem e penetrassem em todos os cantos, e não ligamos quando um ou outro destruia parte do nosso lar.
Já não éramos nós.
—Pusemos um fim. Eu parti - você ficou. Pediu que eu voltasse, e até deixou a porta aberta às vezes. Sempre quis acreditar que só eu era bem-vindo, mas nunca estávamos sós.
Nunca éramos nós.
—E você o fez. Te dei o refrão, você o seguiu. Seguiu em frente também, como ele te disse. Perguntam de você, perguntam porque te deixei ir. Mas eu nunca te tive.
Pensei que tivesse seguido também. Não com você. Apenas seguido. Mas eu infelizmente continuo no mesmo lugar.
—Somos dois ponteiros de relógio. Por vezes nos encontramos, mas nunca indicamos a mesma coisa.
/Meia hora não foi o bastante pra mudar minha vida.
curando-se
— É complicado. Por mais que eu tenha certeza que tu ainda é a única pessoa por quem eu deixaria tudo, não tenho pensado em você.
Por vezes pedi só que você lembrasse.
Mas acontece que isso não aconteceu. Sempre fui um casal de um. E isso não existe. Não tem como eu andar de mãos dadas comigo mesmo.
— Mas isso já foi.
Hoje não faço mais tanta questão da tuas mãos nas minhas. O espaço que sobra entre as minhas não parece se encaixar mais perfeitamente nas tuas. É só um espaço que clama pra ser completado. Mas eu tenho duas mãos, posso fechá-las e -puf! Fim.
Tua onipresença vem se tornando mais uma dor, em especial. Não bem desejada, mas já que tá por lá, me acostumo. E até gosto dela.
Esse sou eu, de mãos fechadas, rindo sozinho. Rindo do meu grande feito.
— Eu consegui me acostumar à essa realidade. Isso é um grande avanço. Uma pena que se acostumar não seja o mesmo que aceitar.
— Esse sou eu,andando por aí comigo mesmo.
intercâmbio

- Eu sempre procurei por um espaço único no mundo. Procurei por qualquer lugar em que eu pudesse ficar sozinho, que eu pudesse me expôr sem público, que eu pudesse chamar de Meu.
E na minha jornada eu encontrei inúmeros cantos, milhares de casas, incontáveis músculos e abraços que me abrigaram, lugares que eu pude chamar de 'lar'.
Mas era sempre algo temporário. Sempre me deparava com um aluguel caro demais ou com um limite de estadia.
Por vezes fui expulso, por outras o "a casa é sua" foi levado tão ao pé da letra que cheguei a sentir-me mais dono do terreno do que o esperado.
Me lembro de algumas vezes em que me abrigaram por entre músculos pulsantes. O sentimento de aconchego por vezes não foi o suficiente, por outras foi sufocante. No fim, me encontrava despejado, um sem-teto por opção, ou não.
Foi assim que eu me tornei um eterno nômade, um aventureiro em busca de novos cômodos, novos cantos pra chamar de casa.
Mas o que me vale falar sobre todos esses lugares é saber que por um dia, por um momento, eu pude chamá-los de meus. Por mais que não tenham sido realmente, por mais que eu tenha me apropriado deles sem nenhum contrato, me senti dono de cada um deles.
E se de cada um deles me lembro, cada um deles deve lembrar que já tiveram dono, que já foram invadidos, que quiseram abrigar-me.
- E assim eu continuo procurando.
falha
Parte 1: A proposta exagerada.- "I wanna wake up where you are, I wanna hold your hand tonight."
A: Taí, do jeitinho que você pediu. Consegui pôr tudo que eu sinto no papel. Eu sei que você gosta de ler, então coloquei em forma de contos, poesias, versos, e até em melodias, caso queira ver isso como uma música de um cantor underground. Você escolhe a forma que vai ler e saber de tudo. Quando terminar me avisa, diz se gostou, se quer adicionar algo, se eu devo omitir ou mudar alguma coisa.
Parte 2: A opinião e o depois.
B: Olha. Vou te dizer bem assim... É muito bonita a sua história, li de todas as formas possíveis. Gostei dela de todos os jeitos. E sim, eu gosto muito de ler, bastante. Mas sabe o que é? Eu prefiro filmes. Mais ação, sabe. Mais vida. É... É um pouco mais próximo da realidade.
E é disso que eu preciso agora.
Parte 3: Como fazer gelo.
A: Rasguei tudo. Não sobrou nada.
Mas esconder as provas não desfazem crimes.
Taí, meu maior erro foi pensar que depois de tantas vezes, "essa vez" não ia ser "outra vez".
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